O preço dos ovos varia conforme mudam a oferta, a procura e os custos envolvidos na produção e comercialização. Por isso, uma alta ou uma queda dificilmente tem uma única explicação e nem sempre chega da mesma maneira ao preço encontrado no supermercado.
O preço dos ovos sobe e desce ao longo do ano principalmente porque muda a relação entre a quantidade disponível e a procura pelo produto. Ao mesmo tempo, os produtores lidam com custos que também oscilam, especialmente os relacionados à alimentação das aves.
Essa combinação ajuda a entender por que não existe uma regra simples como “em determinado mês o ovo sempre fica mais caro”. O comportamento depende das condições daquele momento.
Oferta e procura ajudam a explicar as mudanças de preço
Um exemplo simples facilita a compreensão.
Imagine um período em que compradores aumentam seus pedidos e, ao mesmo tempo, existe uma quantidade mais limitada de ovos disponível para negociação. Há mais disputa pelo produto, favorecendo a valorização.
Agora imagine o inverso: existe bastante produto disponível, enquanto supermercados e atacadistas estão comprando em ritmo mais lento. A necessidade de disputar aquela oferta diminui e cresce a pressão por preços menores.
O detalhe importante é que não basta observar somente um dos lados.
Uma procura maior não significa obrigatoriamente uma grande alta se a oferta também estiver elevada. Da mesma forma, uma produção maior não necessariamente provocará queda se o consumo estiver crescendo em ritmo semelhante.
Um episódio de 2026 mostra bem essa relação sem transformá-lo em uma regra. Em julho, o Cepea registrou queda superior a 15% frente a junho em algumas regiões pesquisadas e relacionou o movimento à combinação de demanda desaquecida e oferta interna elevada.
O exemplo ajuda a compreender o mecanismo, mas não significa que todo mês de julho terá o mesmo comportamento.
A quantidade produzida não permanece exatamente igual
Quando falamos em oferta, estamos falando da quantidade de ovos disponível no mercado.
A produção brasileira apresenta variações ao longo do tempo. Segundo o IBGE, o país produziu 1,21 bilhão de dúzias de ovos de galinha no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou 0,4% acima do registrado no mesmo trimestre de 2025, mas 3,5% abaixo do quarto trimestre de 2025.
Esse dado mostra algo importante: a quantidade produzida pode mudar mesmo quando observamos intervalos relativamente próximos.
Isso não significa que uma redução de 3,5% na produção provoque automaticamente determinada alta no preço. Para entender o efeito sobre o mercado, é necessário observar também como estava a procura naquele período.
Por isso, produção e preço não devem ser analisados isoladamente.
A ração tem grande peso no custo dos ovos
Além da oferta e da procura, existe outro elemento importante: quanto custa produzir.
Na avicultura de postura, a alimentação das aves representa uma parcela expressiva dos custos. Segundo a Embrapa Soja, a alimentação das galinhas poedeiras responde, em geral, por 60% a 70% do custo total de produção dos ovos.
A mesma fonte explica que, nas rações típicas utilizadas no Brasil, o farelo de soja fornece grande parte das proteínas, enquanto o milho é a principal fonte de energia.
Isso ajuda a entender por que as oscilações nesses dois mercados são acompanhadas de perto por quem produz ovos.
Se milho ou farelo de soja ficam mais caros, alimentar as aves também tende a custar mais. Mas existe uma diferença importante entre aumento do custo e aumento do preço de venda.
O fato de produzir uma dúzia ter ficado mais caro não significa que o mercado aceitará imediatamente um reajuste equivalente. O produtor continua sujeito às condições de oferta e procura.
É possível, inclusive, haver aumento nos custos justamente em um momento de preços mais fracos. Em julho de 2026, o Cepea registrou uma combinação desse tipo em São Paulo: os preços dos ovos haviam recuado enquanto milho e farelo de soja se valorizaram, reduzindo o poder de compra do avicultor em relação a esses insumos.
Outros custos também entram nessa conta
Embora a alimentação tenha um peso muito grande, produzir e colocar os ovos no mercado envolve outros gastos.
Há custos com embalagens, energia, mão de obra, manutenção, cuidados sanitários e transporte, entre outros. Além disso, o produto precisa passar pelas etapas de classificação, embalagem, separação dos pedidos e distribuição até chegar ao ponto de venda.
Esses custos não variam necessariamente ao mesmo tempo nem na mesma intensidade. O preço de uma embalagem pode subir em um período no qual o milho está mais barato, por exemplo. O transporte também pode ficar mais caro ou mais barato independentemente do comportamento da ração.
Por isso, olhar apenas para um insumo dificilmente explica sozinho uma mudança no preço dos ovos.
Também não existe uma transferência automática de cada aumento de custo para o consumidor. O efeito dependerá das condições de negociação e do equilíbrio entre oferta e procura naquele momento.
Preço recebido pelo produtor e preço do supermercado são a mesma coisa?
Não. Essa é uma das diferenças mais importantes para interpretar notícias sobre o mercado de ovos.
A Conab diferencia os preços agrícolas de acordo com o nível de comercialização, incluindo preço recebido pelo produtor, preço no atacado e preço no varejo. O varejo corresponde ao preço praticado ao consumidor final.
Por isso, quando uma notícia informa que “o preço dos ovos caiu”, é necessário descobrir qual preço está sendo analisado.
O indicador de ovos do Cepea, por exemplo, acompanha preços de ovos comerciais negociados em caixas com 30 dúzias, à vista, em diferentes regiões e condições de negociação. Não é uma pesquisa do preço da embalagem encontrada pelo consumidor na gôndola.
Essa diferença evita comparações equivocadas.
Se uma caixa com 30 dúzias negociada em determinada região caiu de preço, não é correto simplesmente dividir esse valor e concluir quanto uma embalagem deveria custar em qualquer supermercado brasileiro.
São etapas diferentes da comercialização.
Por que dois supermercados podem cobrar preços diferentes?
O valor encontrado pelo consumidor não depende apenas do preço pelo qual os ovos saíram da produção.
Cada supermercado trabalha com suas próprias condições de compra, volume negociado, estoque, logística, despesas operacionais, margens e estratégias comerciais.
Isso significa que dois estabelecimentos localizados na mesma cidade podem vender produtos semelhantes por preços diferentes.
Uma rede também pode realizar uma promoção enquanto outra mantém o preço habitual. Da mesma maneira, uma loja pode ainda possuir estoque adquirido anteriormente, enquanto outra já está comercializando um lote comprado sob novas condições.
Também é importante comparar produtos equivalentes. Uma embalagem com 30 ovos naturalmente terá preço total diferente de uma com 12 unidades. Quantidade, classificação, apresentação e marca precisam ser consideradas.
Promoção significa que o preço dos ovos caiu?
Não necessariamente.
Uma promoção pode resultar de uma decisão comercial do supermercado, de uma condição de compra negociada com o fornecedor ou de uma estratégia para aumentar o giro da categoria.
Por isso, encontrar uma embalagem mais barata em determinada semana não significa que o preço dos ovos tenha caído em todo o mercado.
O movimento contrário também acontece. Quando uma promoção termina, o consumidor pode perceber um aumento considerável na etiqueta, mesmo sem ter ocorrido uma mudança equivalente no preço recebido pelo produtor.
Essa é mais uma razão para separar cotação de mercado de preço praticado pelo varejo.
Existe uma época do ano em que os ovos sempre ficam mais caros?
Não existe um calendário capaz de prever isso com segurança.
Períodos de aumento da procura podem favorecer uma valorização, mas o resultado dependerá também da quantidade disponível e dos custos daquele momento. Da mesma forma, uma oferta maior pode pressionar os preços para baixo, mas o efeito será diferente se o consumo também estiver crescendo.
Por isso, frases como “ovo sempre fica mais caro em determinado mês” devem ser vistas com cuidado.
O comportamento registrado em um ano pode não se repetir da mesma maneira no seguinte.
Então, por que o preço dos ovos sobe?
Geralmente, porque mais de um fator está agindo ao mesmo tempo.
Uma alta pode ocorrer quando a procura cresce em relação à oferta, quando os custos de produção aumentam ou quando diferentes situações se combinam. Uma queda pode aparecer quando existe maior disponibilidade diante de uma demanda mais fraca.
Por isso, ao encontrar uma notícia sobre alta ou queda, algumas perguntas ajudam a entender melhor o que realmente aconteceu: qual preço está sendo citado? Em qual região? Em qual período? A informação se refere ao produtor, ao atacado ou ao varejo? Como estavam a oferta, a procura e os principais custos?
Essas perguntas evitam transformar uma oscilação específica em uma explicação geral para o preço dos ovos.
Para o supermercado, preço é apenas uma parte da decisão
As oscilações fazem parte do mercado, mas o supermercado precisa continuar abastecido independentemente de o preço estar em um período de alta, estabilidade ou queda. Por isso, além de acompanhar as cotações, é importante observar giro, frequência de reposição, estoque disponível, variedade das embalagens e regularidade das entregas.
Uma compra aparentemente vantajosa pode deixar de ser interessante se resultar em excesso de estoque. Da mesma forma, reduzir demais o pedido em determinado momento pode levar à falta de produto quando as vendas acelerarem. O equilíbrio depende do comportamento de cada loja e de uma reposição compatível com a demanda.
É nesse trabalho contínuo de abastecimento que a relação com o fornecedor faz diferença. Regularidade, agilidade na entrega e contato direto ajudam o varejo a ajustar os pedidos ao ritmo real das vendas, sem depender apenas de decisões tomadas a partir da cotação do dia.
A Granja São José mantém uma relação direta com supermercados e mercados, com produção, classificação e logística voltadas para um giro ágil entre a granja e o ponto de venda. A empresa trabalha com diferentes opções de ovos brancos, vermelhos e de codorna, em embalagens variadas, permitindo que o varejista componha o mix de acordo com o perfil de consumo de cada loja.
As variações de preço fazem parte de um mercado influenciado por muitos fatores. O compromisso da Granja São José está naquilo que pode ser trabalhado todos os dias: qualidade, frescor, regularidade no fornecimento e proximidade com o varejo.
Servindo qualidade desde 1958.






